No início dos anos 60, as redes de computadores eram formadas por uma porção de terminais ligados a um computador central, chamado mainframe. Em 1964, Paul Baran, da Rand Corporation, desenhou uma rede descentralizada a pedido da Força Aérea dos Estados Unidos. Seu projeto foi inicialmente engavetado pelo Pentágono, mas reativado em seguida.
Em 1969, nasce a ARPANET. Financiada pela DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), a ARPANET era uma rede descentralizada e inicialmente formada por quatro computadores localizados em Stanford Research Institute, University of Utah, a University of Califórnia / Los Angeles e University of Califórnia / Santa Barbara.
Ainda em 1969, Ken Thompson, Dennis Ritchie e Joseph Ossama, todos da Bell Labs, desenvolveram a primeira versão do UNIX. Em outra frente, Dennis Ritchie e Brian Kernighan criaram a linguagem de programação chamada C. Entre 1970 e 1973, o UNIX foi completamente reescrito em C, uma linguagem pequena e eficiente.
Em 1972 a ARPANET tinha cerca de quarenta computadores. Neste ano, Ray Tomlinson criou o correio eletrônico. Sua invenção teve grande impacto no meio acadêmico, revolucionando o modo como nos comunicamos remotamente, até hoje.
Em 1974, Vinton Cerf e Robert Khan, que também trabalhavam na DARPA, apresentavam ao mundo o conjunto de protocolos chamado TCP/IP. Estes protocolos permitiram uma revolução na comunicação entre computadores. A partir do lançamento do TCP/IP, era possível interligar redes diferentes, usando roteadores, e garantir que os pacotes de dados chegariam completos a seus destinos. Até hoje, o TCP/IP é o conjunto de protocolos que faz a Internet funcionar, bem como a maioria das redes locais de nossas casas, empresas e outras organizações.
Em 1975, o UNIX foi escolhido como o sistema operacional oficial da ARPANET. Entre 1974 e 1980, o código fonte do UNIX foi distribuído pelas universidades dos EUA, tornando o sistema muito popular. Em pouco tempo, o UNIX se tornou um padrão comercial, um padrão de desenvolvimento e um sistema com poderosos recursos de rede. Algumas grandes empresas lançaram suas próprias versões do sistema (Solaris da Sun, HP UX da HP, AIX da IBM, IRIX da Silicon Graphics e Digital UNIX da DEC).
Em 1983, Paul Mockapetris criou e escreveu a primeira implementação do DNS – Domain Name System. Este sistema tornou possível o uso de nomes facilmente entendíveis por seres humanos nas operações de acesso a serviços remotos. Sem o DNS, não haveria a navegação web tal qual conhecemos, porque cada vez que acessamos um site digitando o nome da empresa no navegador, é o DNS que traduz este nome para um endereço IP válido na Internet.
Em 1984, quatro estudantes da University of Berkeley escreveram a primeira implementação do DNS para UNIX. Mais tarde, este programa seria a base para a criação do famoso BIND (Berkeley Internet Name Domain) escrito por Kevin Dunlap, da DEC.
Entre 1975 e 1990, a ARPANET foi utilizada basicamente por militares e acadêmicos, sendo controlada pela NSF (National Science Foundation). A entidade impunha fortes restrições de acesso à rede, que já contava com cerca de 300.000 computadores.
A partir de 1991, a rede foi aberta para acesso público, mas como sua utilização era baseada em linhas de comando, não houve uma aceitação em massa. A partir de 1995, com o advento da World Wide Web, o público americano começou a navegar na grande rede. Nascia a Internet. Não tão parecida com a que estamos acostumados hoje, mas já possuindo grande parte da tecnologia necessária para chegar até aqui.
Fonte:
Segurança máxima: o guia de hacker para proteger seu site na Internet e sua rede / Autor anônimo; tradução de Edson Furmankiewicz, Joana Figueiredo. Rio de Janeiro: Campus, 2000. ISBN 85-352-0551-9.